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12 de Dezembro de 2018

Sou advogado, dá para confiar em mim?

Como fazer os clientes cooperarem e deixá-los menos desconfiados?

Matheus Galvão, Advogado
Publicado por Matheus Galvão
há 3 anos

Confie em mim eu sou advogado

Um advogado, antes de uma audiência, resolveu aconselhar a testemunha de seu cliente: "Se você não souber, não responda, você pode simplesmente dizer que não sabe; não tente limpar a barra a todo custo, fique tranquilo, não temos nada a esconder".

Ele concluiu explicando o procedimento do interrogatório de um jeito tão detalhado e tão compreensível que aquela testemunha ficou muito mais tranquila quando questionada. As coisas deram certo, a testemunha foi muito mais segura do que a média. Uma raridade ver alguém preocupado em realmente passar uma mensagem.

A lição que fica é que o advogado que se comunica bem ganha a cooperação do cliente.

Vejo muitos colegas reclamarem que os clientes atrapalham ao pedirem informação demais, mas esse não é um direito deles? Por outro lado, as pessoas desconfiam demais dos advogados e os tratam como um "mal necessário", na maioria das vezes.

O grande calcanhar de Aquiles é exatamente a forma como a informação é passada, por isso algumas itens são necessários quando o assunto é confiança:

1. Evite segredos

Já vi situações embaraçosas envolvendo pedidos que os advogados fazem sem o conhecimento de seus clientes. Algo muito arriscado. Um profissional é contratado para resolver problemas específicos e se há possibilidade de se ir além em algum quesito é preciso que todos estejam de acordo. Não exagere.

2. Converse bastante, no primeiro contato

É muito difícil conseguir tempo para uma longa conversa inicial com um cliente, quase sempre os dias são cheios de compromissos, audiências e tal, mas quem quer começar com o pé direito uma relação precisa de tempo para explicar e sanar todas as possíveis dúvidas, compreender bem o problema e esboçar um bom plano estratégico.

3. Seja paciente, explique os detalhes e evite complexidade

A grande aflição das pessoas é entender conceitos jurídicos. Pode parecer um código incompreensível para quem não é acostumado com a linguagem jurídica. Um simples "deferimento" gera perguntas do tipo: "E, então, eu ganhei ou não?". É preciso reconhecer a complexidade da linguagem e tentar passar a mensagem da melhor maneira possível. Afinal, se você conseguir explicar de maneira simples, é sinal que você realmente entende do assunto (diria Einstein).

4. Mantenha contato periódico (para confortar ou para atualizar)

Eu sei que às vezes um processo pode passar três meses sem ser movimentado, mas um cliente não entende isso: a culpa sempre vai ser do advogado. Isso pode ser resolvido mantendo-se contato periódico; passe confiança e atualize-o sobre as possíveis alternativas de ação ou até mesmo sobre a impossibilidade de fazer algo, demonstre interesse. Se você não quer ou não pode ter esse trabalho, delegue a alguém, mas faça.

Bem, basicamente é isso, não existem muitos segredos, mas é preciso se atentar para esse tipo de prática, assim ganhamos em termos de produtividade e relacionamento. Afinal, ninguém quer ser taxado de um advogado relapso e negligente, não é mesmo?

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11 Comentários

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Respondendo a pergunta "NÃO" !!! continuar lendo

Excelente material. E uma boa reflexão aos jovens advogados. continuar lendo

Uma boa reflexao aos "velhos" advogados, pois são esses, em sua maioria, que por terem inúmeras demandas não dão a devida atenção aos clientes. continuar lendo

Parabéns pela matéria! Simples e objetivo, o argumento pode ser estendido a todos os profissionais que negociam em prol e/ou em nome de outrem. continuar lendo

Existe bons e maus profissionais, mais ficamos com o pé atras pois nos últimos anos temos muitas fatos que nos leva a desconfiar, advogados dando golpe em aposentadoria rural, lembrando que boa parte dos nossos políticos são advogados e etc. vamos pensar no geral comecando pela OAB, oque ele fez pela sociedade nos últimos 15 anos (nada), e um clube de amigos, como e também o CREA e outros.O enteressa a ele e sua mensalidade e mais nada.
Abraço a todos este o nosso BRASIL. continuar lendo