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12 de Dezembro de 2017

Moro no país das celeumas

Somos um grande espetáculo, no qual cada celeuma é um ponto de virada.

Matheus Galvão, Advogado
Publicado por Matheus Galvão
ano passado

Moro no pas das celeumas

SÃO PAULO - Ontem à noite, experimentando uma cachaça de Blumenau e ouvindo um garçom reclamar do pouco movimento de um bar em plena Vila Madalena, desde a Copa de 2014, comecei a refletir sobre as celeumas do Brasil.

Um Congresso Nacional travado e sem escrúpulos; travado por partidos e pessoas que lutam pelo poder a qualquer custo, criando intrigas, birras e obstáculos para fazer oposição por oposição; sem escrúpulos - ou vergonha na cara - porque ontem mesmo surgiu na pauta da Câmara uma possível anistia ao Caixa 2. Um filho até agora sem pai, mas contestado e repreendido por todos os parlamentares entrevistados.

E o que falar do espetáculo promovido pelo Ministério Público? Cena que serviu muito mais para facilitar a vida de Lula do que para incomodá-lo. Afinal, o "foro privilegiado" favorito do ex-presidente é a televisão. Lá ele pode armar o Lula's Show e fazer aquilo que sabe muito bem: acirrar os ânimos.

Não esqueçamos dos capítulos anteriores que desencadearam o afastamento da ex-presidente Dilma. Comprovação - mais do que clara - que a democracia brasileira é uma criança ingênua, mal vacinada contra a corrupção e o oportunismo.

Agora, nós temos um ex-presidente e uma primeira-dama réus em uma ação penal. O ex-presidente - sem dúvida e não sei se infelizmente o maior líder político do país nos últimos tempos - é audacioso a ponto de ameaçar seus inimigos políticos com uma possível candidatura para presidente em 2018.

Por último, mas não menos importante, temos o Moro. Em seu recente despacho, que recebeu a denúncia contra sete acusados - dentre eles Lula e Dona Marisa -, o juiz curitibano tenta passar a sensação de imparcialidade e condena a celeuma que uma acusação contra um ex-presidente possa causar. Metalinguagem pura.

Celeuma dá Ibope. O Moro sabe muito bem disso. Somos um vespeiro cutucado a todo momento. Uma história roteirizada pela mídia seletiva, admirada e aprovada pelo espectador brasileiro. Um eterno ponto de virada, no qual cada celeuma gera uma nova trama.

A pergunta que resta é: até quando nos contentaremos a viver no país das celeumas?

15 Comentários

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Não consigo compreender essa tentativa incessante de colocar Sérgio Moro como figura parcial. Parcial por quê? Qual declaração foi por ele proferida que demonstrou isso? A suposta (e falsa) perseguição ao Partido dos Trabalhadores? Oras, o PP é o partido com mais figuras nas mãos de Sérgio Moro.
Moro não é um juiz inerte: é do tipo que usufrui de suas prerrogativas, do impulso oficial, que, provocado, autoriza investigações, defende maiores punições para corruptos. Isso não é ser parcial, é ser ativo. Ele afastou-se do "Juiz Olimpo" e busca uma justiça efetiva. Em nada, todavia, afeta sua imparcialidade.
Agradeçamos à JF e ao MPF pelo belo trabalho que tem sido feito na lava-jato; para vencer um câncer é preciso combatê-lo. Avante! continuar lendo

Ia fazer um contraponto ao texto do colega, mas se tornou desnecessário. Faço das suas palavras, as minhas.

Situações extremas demandam medidas extremas, não ilegais, mas proporcionais.

Abraço forte! continuar lendo

O mais curioso é que os que se insurgem tanto contra Moro são justamente os que criticavam a inércia do Judiciário. Que sempre criticaram que, diante de provas, os juízes não agiam. Agora quando o juiz age, e apenas porque também atinge, ainda que em menor número, integrantes de seu partido, eles começam a criticar o Juiz. Mais um caso de coerência zero. continuar lendo

Interessante ressaltar que os que atentam contra a imagem do Moro não o critica por estar "perseguindo" pessoas inocentes, e sim por ir com mais afinco para um lado do que para outro.
Ou seja, chegamos a um ponto no Brasil que se critica um juiz ativo por buscar a justiça e se passa a mão em políticos corruptos por estarem sendo "perseguidos", mesmo sendo corruptos. continuar lendo

Certíssimo, Hyago. A única parcialidade evidente está na crítica/acusação de que Sérgio Moro é parcial!

Um abraço! continuar lendo

Até que tenhamos a educação e a politização necessárias e suficientes para mudarmos de vida.
Vai longe... continuar lendo

Depois que adquire o vício é difícil sanar. continuar lendo

Não acho apenas que Sua Excelência é parcial, afinal, ele não fala nos autos, fala na imprensa e nos jornais, além disso, não tem o distanciamento das disputas políticas que é fundamental para sua ação. As suas ações evidenciam que nos tempos recentes, não tivemos só a judicialização da política, pior, tivemos, também, a politização da justiça, a linha é tênue, mas, o principio é desastroso, porquanto como é cediço, sempre que há predominância da política sobre o direito, este perde a sua autonomia. Estamos diante de um simulacro de direito e uma caricatura de justiça, desde que sua Excelência foi alçado à figura política maior da falsa moralidade. continuar lendo

Parabéns!! estava faltando uma reposta desta e acrescento, cadê os processos do Banestado que estavam em suas mãos? Como pode um Juiz Federal participar de eventos da LIDE (João Dória) filiado ao PSDB? Como posso acreditar na imparcialidade deste Juiz que alguns membros de outra facção criminosa política ainda não foram nem sequer ouvidos e não se fala na mesma mídia que tanto aparece? Versos da canção do Excelente Gonzaguinha; São perguntas tolas não ligue são pontos de interrogação! continuar lendo

Agora será preciso que este mesmo empenho seja utilizada para os demais envolvidos com á mesma intensidade.Será que vai ocorrer? continuar lendo

Eu concordo plenamente com você Matheus. Somos uma sociedade ainda imatura politicamente. Se as pessoas parassem de avaliar seus próprios interesses para voltar a atenção à coletividade o nosso Brasil seria totalmente diferente. continuar lendo