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23 de Junho de 2017

Compliance - Por que lidar com corrupção pode ser um bom negócio?

Tendência no mercado, remuneração de compliance officer pode ultrapassar R$ 10.000,00.

Matheus Galvão, Advogado
Publicado por Matheus Galvão
há 5 meses

O cenário brasileiro para 2017 não é dos melhores. A crise econômica abalou significativamente o mercado e o desemprego ainda crescerá antes de cair.

A corrupção é a principal causa para a perda de confiança dos investidores no Brasil. Recentemente, Odebrecht e Braskem foram multadas em pelo menos U$ 3,5 bilhões. O motivo: pagamento de propina para obter vantagens em contratos com órgãos públicos. Além das multas, que deverão ser pagas, inclusive, aos Estados Unidos e à Suíça, ao menos 90 pessoas já foram condenadas por corrupção, na operação Lava-Jato.

Não surpreende, portanto - na contramão da falta de emprego - a crescente procura por profissionais de compliance.

Por que lidar com corrupo pode ser um bom negcio

O que é compliance?

O termo compliance tem o significado de “conformidade”. Surgiu no fim da década de 20 com a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, e o surgimento das agências reguladoras americanas. O principal profissional da área é o compliance officer, também conhecido como compliance manager.

O que faz um compliance officer?

O compliance officer (ou compliance manager) assegura que uma empresa conduza seus negócios de acordo com as normas e regulamentos nacionais e internacionais, assim como se certifica de que as decisões internas são responsáveis, e as práticas empresariais sejam éticas e alinhada com as normas.

O compliance officer é um profissional anticorrupção?

No Brasil, a intensa procura por compliance officers se deu, principalmente, em razão da legislação anticorrupção do país ter sido inovada com leis como a 12.846, de 1º de agosto de 2013 e o seu respectivo Decreto 8.420, de 18 de março de 2015, responsabilizando as empresas pelas práticas e atos de corrupção contra a administração pública.

As empresas, então, começaram a se preocupar em passar uma imagem de lisura, buscando profissionais de compliance para demonstrar isso, o que os levou a serem confundidos como profissionais anticorrupção. Entretanto, a atuação deles vai muito além dessa esfera.

O profissional de compliance deve ter um conhecimento claro das metas e da cultura da empresa pela qual responde. Além disso, deve se atualizar constantemente para ficar a par das mudanças regulatórias relativas aos negócios desenvolvidos por sua firma.

A Associação Internacional de Compliance divide o papel do compliance officer em dois níveis:

  • Nível 1: conformidade com as regras externas que são impostas a uma organização como um todo.
  • Nível 2: conformidade com sistemas internos de controle que são impostos para assegurar a conformidade com as regras externas.

Como está o mercado para os profissionais de compliance?

Em uma pesquisa realizada em 2015, 70% das empresas pesquisadas afirmou esperar novas publicações de normas e regulamentos acerca de suas atividades.

Nessa mesma pesquisa, 69% respondeu que o investimento em profissionais de compliance aumentaria em razão da necessidade de se compreender as inovações normativas e regulatórias.

Pesquisando o termo “vagas para compliance” em um dos principais sites brasileiros de busca de emprego, é possível encontrar 15 resultados. No Linkedin, 435 vagas para compliance são indicadas.

Por que lidar com corrupo pode ser um bom negcio

Quanto recebe um compliance officer?

Por ser uma área carente de bons profissionais, a remuneração de um compliance officer, bem preparado, pode chegar a mais de R$ 10.000,00. A média salarial para vagas de apoio em setores de compliance fica em torno de R$ 5.000,00 e R$ 6.000,00.

Preciso ser advogado para ser compliance officer?

Não é necessária formação específica para ser um compliance officer. Embora a atuação do profissional seja com normas e regulamentos, apenas se exige dele a dedicação, o conhecimento e a disciplina para se atualizar e se dedicar ao conhecimento das inovações constantes e da estrutura organizacional da empresa em que atua. Administradores, engenheiros, economistas e até jornalistas estão se aperfeiçoando em cursos da área.

A escassez de profissionais de compliance no Brasil tem feito a mão de obra do segmento ser importada.

Como é a formação de um compliance officer?

Por ser um profissional que deve ter uma visão abrangente de negócios, legislação, comunicação e ética, o compliance officer deve se dedicar a estudos em diversos campos.

A formação de compliance officer envolve conhecimentos de due diligence, colaboração premiada, acordo de leniência, compliance financeiro, comunicação, análise de riscos, ética empresarial e outras disciplinas.

No Brasil, ainda são restritas as ofertas de cursos de capacitação em compliance. O mais recente, o Curso de Capacitação em Compliance Officer da Compliance. Net, é coordenado pelo ex-Ministro de Estado Chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage Sobrinho ex-Ministro de Estado Chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage Sobrinho, o Secretário de Cooperação Jurídica Internacional da PGR, Vladimir Aras, e pelo desembargador do TRF 3, Fausto De Sanctis (operação Satiagraha), dentre outros.

10 Comentários

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Profissão fundamental para qualquer empresa, entidade ou órgão público. Porém, é profissional com a missão de garantir que todos os procedimentos realizados pelos funcionários estão de acordo com os regulamentos internos e com as leis externas à empresa. Ou seja, os executivos não serão afetados por esse profissional, são os executivos que têm o maior poder para cometer qualquer tipo de corrupção. continuar lendo

Muito bom Galvão !! Parabéns !! continuar lendo

Em mais de 500 anos de existência do Brasil esta medida não vai encontrar quem suborne efetivamente...Seria plausível esta medida ser tomada nos negócios empresariais e acreditem,na concorrência sempre haverá vencedores e alguns meios para vencer todos nós estamos cansados de saber como funciona.No mais excelente texto. continuar lendo

Profissão ingrata, num país onde o "jeitinho" faz parte do cotidiano. No Brasil a voz corrente é que todo o político é safado, e o povo é santo, seriam, exceto pelo fato de todo o político ter saído do povo, logo, presume-se que o povo só é honesto pela simples falta de oportunidade de não se-lo. Os santos que esbravejam contra os políticos são os mesmos que vociferam sobre a "industria da multa" ao serem autuados, como se não tivessem cometido a infração de trânsito, prevista em Lei, por exemplo. Fica difícil esperar um país melhor, ainda que eu deseje. continuar lendo