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14 de Outubro de 2019

Vereador gaúcho pede demissão de funcionária da Câmara por ela não acreditar em Deus

Parlamentar argumenta que assessora de imprensa da Câmara de Vereadores de Antônio Prado divulga nas redes sociais que "Deus não existe"

Matheus Galvão, Advogado
Publicado por Matheus Galvão
há 6 anos

Vereador gacho pede demisso de funcionria da Cmara por ela no acreditar em Deus

Um vereador pediu a demissão de uma funcionária da Câmara de Vereadores de Antônio Prado, na Serra, por um simples motivo: ela não acredita em Deus. O vereador Alex Dotti (PMDB) recomendou na tribuna da casa legislativa que a funcionária Renata Ghiggi fosse exonerada porque "ela faz questão de colocar nas redes sociais e falar aos quatro ventos que Deus não existe”.

“No começo de todas as sessões o nosso presidente invoca a presença de Deus e no fim da sessão invoca a presença de Deus. Aí nós temos que pegar e a nossa voz aqui de dentro ‘não existe Deus’. Nós vamos invocar a presença de quem aqui, Viali? Eu quero que isso fique na Mesa Diretora e que a Mesa Diretora pense no que está acontecendo. Eu peço a exoneração da Assessora de Imprensa e a troca urgente, porque a Câmara de Vereadores e a cidade de Antônio Prado é uma cidade de fé”, afirmou o vereador Alex Dotti na sessão do dia 4 de fevereiro.

Renata é assessora de imprensa da Câmara. Formada em relações públicas, foi contratada pela Mesa Diretora para auxiliar no trabalho de comunicação da Casa. Renata é ateia e ressalta que sempre teve um bom relacionamento com outras religiões, inclusive com a Paróquia do município de Antônio Prado.

“Eu sei separar as coisas. Um bom relacionamento com as pessoas não quer dizer que eu tenha que possuir uma religião. Aqui na Câmara, até então eu nunca tinha enfrentado problemas explícitos”, afirmou à Rádio Gaúcha nesta terça-feira (11).

Renata relata ainda que já havia sido advertida quando decidiu retirar um crucifixo do plenário da Câmara. Ela afirma que tomou a decisão por acreditar que a instituição é uma casa que deve ter respeito a todas as religiões e não privilegiar apenas a Igreja Católica. O caso não foi bem visto à época, e vereadores decidiram colocar o crucifixo de volta.

“Eu estava ensinando política às crianças e achei que não era coerente ter um discurso dizendo que a Câmara é uma instituição do povo, que aceita todas as religiões e todas as raças, enquanto há um crucifixo da Igreja Católica”, argumentou.

http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/vereador-da-serra-pede-demissao-de-assessora-que-nao-acredita-em-deus-84583.html

376 Comentários

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Fabrica de chocolate demite funcionário que não acredita em Coelho da Pascoa. continuar lendo

Muito boa Chynna.. continuar lendo

kkkkk essa foi boa kkkk continuar lendo

Realmente, muito boa mesmo, Chynna !!! Na realidade, a humanidade não consegue viver sem ser numa fábrica de sonhos e hipocrisias !!! continuar lendo

otima colocação disse tudo. continuar lendo

Kkkk, é proibido misturar alho com bugalho. Sabe porque? continuar lendo

Devida vênia, o título do texto não condiz com a realidade.

A funcionária foi demitida não pela sua crença, mas sim, por apologia inconstitucional e formação de opinião prejudicial à imagem da instituição a que todos representa.

PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de DEUS, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Art. 5º
VI - e inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; continuar lendo

Perfeito! Um absurdo desse, só satirizando mesmo! continuar lendo

eu não acredito em papai noel. rsrsrsrsrs continuar lendo

Marcos Jose Garcia de paiva. Apologia inconstitucional ? Falou sob a proteção de DEUS (não disse que era proteção de Jesus, ou Shiva, ou Alá, ou Javé).
Logo, em nome da laicidade, não se deve dar preferência à religião alguma.
E se a maioria é cristã, não deve ser por isso que tal seja a religião "certa" e a única que mereça respeito. Afinal, a ideia de que a maioria pode oprimir a minoria é vetusta.
Como um evangélico se sente observando um crucifixo em uma repartição pública? Obviamente, pensa que naquele local sua fé é menosprezada, é falsa. E tal situação é inadmissível quando se está a falar da coisa pública, onde todos devem ser tratados de forma isonômica. continuar lendo

O Marcos Jose Garcia de Paiva deve ter se esquecido que o Preâmbulo Constitucional não tem força legal ou normativa, tão pouco imprime obrigatoriedade em sua observância. continuar lendo

Realmente não consigo entender como ainda conseguem denominar o país com um estado laico, tendo em vista a falta de respeito com as outras religiões, exemplo disso é a forma como é tratado isso no próprio governo, como a utilização de crucifixos na maioria dos órgãos públicos desse país. continuar lendo

Concordo e sou absolutamente contra este atentado que é colocar crucifixos em locais de órgãos públicos! O Brasil é laico e deve permanecer dessa maneira. Do contrário, pode muito bem um brasileiro seguidor do islamismo ou budismo se sentir ofendido pelo símbolo de outra religião num lugar onde a neutralidade sobre o tema deveria ser suprema. continuar lendo

O problema é não entender a definição de "laico".

Laico NÃO significa "sem religião", isto é um erro, muitas vezes intencional.

Laico vem do grego “laikós” que significa “do povo”, isso significa que "Estado Laico" é um Estado "do povo", sujeito as necessidade do povo e não a desmandes religiosos.

Isso não implica numa execração da religiosidade, pois dai, apenas passaremos a cultuar o ateísmo, que como filosofia, acabaria por se tornar , também religião, e tendo nascido a partir de uma má interpretação de "Estado Laico", seria uma nova forma impositiva de pensamento e desmande que não atenderia a necessidade da parcela da população que deseja acreditar em um Deus, quaisquer que seja sua religião.

Então, como pode ser interpretado o Estado laico?
De maneira não impositiva.
O estado deve garantir o exercício da fé e deve garantir que a fé de um não seja impositiva a fé do outro.
Da mesma forma, a "fé filosófica" na ciência ou ateísmo também tem o direito a ser exercida, sem contudo, ser impositiva .

O Estado Laico segue o princípio democrático do extrato social. O extrato social religioso é o percentual deste ou aquele exercício de religião. O Brasil, hoje, tem maioria católica, então é comum se dizer um pais católico, no entanto, isso pode vir a mudar e o estado não deve intervir neste exercício de democracia, desde que aconteça por livre comoção social e sem imposição por este ou aquele indivíduo.

O dia que o Povo o parcela significativa deste, entender que o ateísmo atende suas necessidades, o Estado Laico deve garantir seu livre exercício, e caso o Povo se volte para Deus, deve garantir também.

ERRA o parlamentar ao exigir punição por alguém não ter religião, mas também ERROU a funcionária ao retirar um símbolo que provavelmente representaria a fé da maioria da Câmara e da cidade, uma atitude desnecessária e claramente provocativa.

Resumindo, O Estado Laico não deve intervir em assuntos religiosos, pois isso significa beneficiar apenas grupos isolados, mesmo que estes se digam ateus.
Estado Laico deve GARANTIR o livre exercício da religião, mas deve envidar esforços para impedir uma ditadura filosófico-religiosa. continuar lendo

Concordo e sou contra também, e outra observação, "Deus seja Louvado" escrito em cédulas, em fonte minúscula, mas está lá. continuar lendo

Julio Oliveira: vc se contradisse: se o estado é laico - como pode uma repartição pública ter um símbolo de uma religão? Ou tem de TODAS, TODAS eu disse (milhares!!!).. ... ... .. ou de nenhuma!!!! continuar lendo

Concordo colega!

No meu entendimento, a cruz significa: "embaixo de toda cruz, sempre haverá algum/ alguém morto". continuar lendo

Concordo com o Julio: a laicidade do Estado não está na imposição do pensamento ateu, mas no livre exercício de qualquer religião ou pensamento. continuar lendo

Julio e Adriano, a questão aqui não é o ateísmo e sim que o Brasil não é divido entre Cristãos e Ateus, existe muitas diversidade de religiões no país que não tem como base o cristianismo. Cabe o governo e o povo respeitar isso, impor suas religiões encima das outras vai contra a lei do laicismo. continuar lendo

O laicismo é uma doutrina que defende a ausência de qualquer obrigação de caráter religioso nas instituições governamentais. É uma posição que visa a laicidade, ou seja, a não intervenção da religião no Estado.

A qualidade de ser laico pressupõe a não interferência da igreja em assuntos políticos e culturais. Quando se fala em Estado laico, existe a ideia de neutralidade sobre questões religiosas. Deve haver liberdade para os cidadãos manifestarem a sua fé religiosa, qualquer que ela seja, sem haver controle ou imposição de uma religião específica. continuar lendo

Julio Oliveira: laicismo = democracia religiosa? acho que não hein!
Um estado laico ou secular é a separação de estado e religião. O Brasil esta longe de ser um estado laico, vide bancadas religiosas que são apresentadas desta forma. E em relação ao crucifixo em órgãos públicos, isso acontece porque de fato não é laico. continuar lendo

Religião vem do latim = religare - Quem religa torna a ligar algo que esteve ligado- Quem religa ensina ao desligado a torna-se ligado atravéz da verdadeira religião-
E quem é a religião? continuar lendo

Não é porque o Estado é considerado laico que temos que deixar de expressar nosso sentimento religioso mas sim que devemos respeitar as crenças de todo cidadão, porém discordo do vereador que por mero luxo pretende a demissão da funcionária. continuar lendo

Não vejo problemas com a exposição de crucifixos em prédios do governo desde que haja liberdade para a exposição de talismãs de outras religiões. continuar lendo

É claro que a laicidade precisa ser um predicado que o Estado deve observar no respeito de todas as religiões, e também de não-religiões, com a finalidade de não passar por cima da moral pessoal dos cidadãos - o que não é um assunto para o Estado, pois este deve relacionar-se com o cidadão pautado na moralidade política, tratando todos, não com simples igualdade (aqui entendida como forma idêntica), mas com igualdade de consideração, que, como ensina Dworkin, é uma coisa muito diferente.
Não concordo com o Julio, por não achar que a ausência de símbolos religiosos seria um imperativo ateu, mas sim um imperativo de neutralidade - saudável em um ambiente democrático, livre de tendências, até mesmo da tendência da maioria. Se se acha necessário algum tipo de demonstração religiosa em prédios de instituições estatais, que se tenha, no mínimo, um espaço ecumênico, próprio para comorar o dia dos santos católicos, budistas, do candomblé etc. Acredito que seria uma posição "tecnicamente" correta.
Agora, afirmar que o Brasil está longe do laicismo (algo que concordo plenamente), utilizando como base a existência de bancadas religiosas no Legislativo (só posso entender assim), me parece uma posição também problemática, pois que o Parlamento é o lugar em que deve ser levado em consideração o interesse da sociedade para se fazer política (por isso é a "casa do povo"). E é claro que o filtro institucional de interesses é levado a cabo pelos representantes, ou seja, eu devo representar os interesses de quem eu represento - das pessoas que em mim votaram e que, em tese, tem os interesses alinhados com o meu. É por isso que, especialmente, para Câmara dos Deputados Federais, o sistema atuante na seleção dos candidatos é o proporcional. Muito diferente do Senado (sistema majoritário). continuar lendo

Um estado laico não pode beneficiar nenhuma religião, inclusive o ateísmo. É inócuo os ateus dizerem que retirar os símbolos religiosos dos órgãos públicos beneficia todas as religiões, quando todos sabem que o única "religião" que se beneficia é o ateísmo. Também vão dizer: "mas ateísmo é a ausência de religião!", bem.. do jeito que está com até "culto ao ateísmo", dogmas, associações, etc. a crença em um não-deus está muito mais organizada que muitas outras religiões. continuar lendo

Felipe Derrico: então quer dizer que só porque a ateísmo não adora nenhuma religião e não segue dogmas religiosos que o cristianismo tem o direito de desrespeitar além dos ateus todas as outras religiões? meio ilógico esse seu argumento. continuar lendo

Também poderiam cassar o vereador por acreditar em fantasias delirantes sem comprovação. continuar lendo

E é o que sustenta até hoje o "instituto" chamado religião. Não há provas de nada. Apenas textos. Nada mais que uma invenção histórica. continuar lendo

A prova da religião está para que quer acreditar! Como pode milhares de pessoas seguirem algo que vocês dizem que não é real e por muito tempo, até a morte? Ela não estaria perdendo tempo? Mesmo assim continuam! DEUS existe! Não conseguimos provar pra quem não quer enxergar, mas também ELE nos ensina a respeitar a decisão de cada um! Devemos amar todos sem distinção. Amar não é criticar, é respeitar as pessoas, suas decisões, crenças, ... !! continuar lendo

¨¨Não roubaras¨¨ Um dos dez mandamentos!!
- Este senhor, fervoroso fiel, pratica este mandamento, igualmente como os seus pares e declarados tementes a deus praticam em todas as esferas, quer elas sejam legislativas,municipal e federal??? Falacias e felicianos mais uma vez!! continuar lendo

Mônica, estamos falando de um município de 343,28 km² e pouco mais de 14.000 habitantes. O caixa dessa cidade não tem as dimensões financeiras que você deve estar imaginando. continuar lendo