jusbrasil.com.br
25 de Setembro de 2017

Uruguai: após legalização, desistência de abortos sobe 30%

Dados mostram que 18% das mulheres que buscam o procedimento correspondem a menores de 20 anos

Matheus Galvão, Advogado
Publicado por Matheus Galvão
há 2 anos

O número de mulheres que decidiram levar adiante a gravidez após solicitar um aborto legal no Uruguai cresceu 30% em 2014 se comparado ao ano anterior, conforme o segundo relatório anual do Ministério da Saúde (MSP) divulgado neste fim de semana.

Uruguai aps legalizao desistncia de abortos sobe 30

O total de abortos legais concretizados subiu 20%, com "8.500 interrupções voluntárias da gravidez", mais do que no mesmo período de acordo com o comunicado.

Os dados foram coletados "entre dezembro de 2013 e novembro de 2014", explicou neste domingo à Agência Efe a ginecologista e ex-diretora de Saúde Sexual e Reprodutiva no MSP, Leticia Rieppi, que participou da coordenação do relatório realizado durante sua gestão, antes da mudança de governo no país. Em 1 de março, o ex-presidente José Mujica entregou a faixa ao seu sucessor Tabaré Vázquez.

Para a médica, a ascensão no número de abortos está dentro do esperado para os primeiros anos de vigência da lei.

"O que nos surpreendeu foi o aumento de desistências, o que demonstra que a lei vem cumprindo seu papel. Não é uma lei que promove o aborto, mas a reflexão. Isso demonstra que muitas mulheres que solicitam o aborto não têm certeza e que as consultas obrigatórias com a equipe interdisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais, além do ginecologista, estão sendo efetivas", disse em alusão ao procedimento determinado pela legislação no qual a mulher tem cinco dias para pensar antes de prosseguir com o pedido.

Sobre o número de abortos concretizados, o Ministério informou que se trata de uma relação de 12 para cada 1.000 "mulheres entre 15 e 45 anos, sendo porcentagens que estão abaixo dos níveis internacionais que se conhecem, como, por exemplo, nos países nórdicos".

Os resultados do relatório também dão conta de que 18% das mulheres que buscam o procedimento correspondem a menores de 20 anos. Nesse sentido, Leticia contrapõe que "uma a cada cinco adolescentes no Uruguai é mãe".

"Se fala muito sobre gravidez precoce e parece que as adolescentes são condenadas tanto quando abortam quanto quando não o fazem", opinou.

De acordo com registros oficiais, 60% dos abortos ocorreram em Montevidéu e os demais no interior do país e nenhuma morte aconteceu no período de vigência da nova lei.

"O MSP continuará potencializando o acesso à informação de métodos contraceptivos, de modo a não chegar tarde para promover e facilitar a decisão voluntária da maternidade", concluiu o comunicado.

A lei de interrupção voluntária da gravidez está em vigor no país desde o final de 2012.

Na América Latina, essa possibilidade amparada pelo sistema de saúde só existe na capital mexicana, em Cuba, Guiana e Porto Rico, além de no Uruguai.


Fonte: Terra

32 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Coloca-se um título chamativo, com a ideia de "diminuição de abortos" como forma de tentar suavizar a questão... quando na verdade, a parte a ser destacada, está somente no meio do texto "O total de abortos legais concretizados subiu 20%, com"8.500 interrupções voluntárias da gravidez", mais do que no mesmo período de acordo com o comunicado.". continuar lendo

Concordo com você. continuar lendo

Sim...mas no mesmo texto, ainda informa: "Para a médica, a ascensão no número de abortos está dentro do esperado para os primeiros anos de vigência da lei.
"O que nos surpreendeu foi o aumento de desistências, o que demonstra que a lei vem cumprindo seu papel. Não é uma lei que promove o aborto, mas a reflexão. Isso demonstra que muitas mulheres que solicitam o aborto não têm certeza e que as consultas obrigatórias com a equipe interdisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais, além do ginecologista, estão sendo efetivas", disse em alusão ao procedimento determinado pela legislação no qual a mulher tem cinco dias para pensar antes de prosseguir com o pedido."

Acredito que devemos pensar nos efeitos de referida lei, a longo prazo. E pensar na mulher que não quer ter a maternidade concretizada; pensar em políticas públicas: em como resolver tantos pimpolhos rejeitados pelos pais, pelo Estado; pensar, de forma lógica sobre a questão do aborto e deixar de lado o paternalismo exagerado (por parte de uns sem informação) e, principalmente a religião. continuar lendo

Você não leu ou simplesmente decidiu omitir o que vem escrito após o trecho?

É óbvio que de início ainda há receio em procurar locais legalizados, não se muda a cultura de clinicas clandestinas da noite para o dia com apenas um Lei.

O aumento é de procura de abortos legalizados, não é o de total de abortos, pois para considerarmos aumento no número total temos que ter os dados de abortos clandestinos.

Com a Lei e com o acompanhamento certo pode-se concluir do texto que, 30% das mulheres que abortariam, com ou sem legalização, não abortaram, ou seja, vidas salvas. continuar lendo

Não se deveria nem se tentar suavizar a questão , pois o aborto já passou da hora de ser tratado como algo natural, como um direito da mulher, tendo em vista não haver na Medicina nenhum método contraceptivo com 100% de segurança no seu emprego. continuar lendo

Apenas não explicou que tipo de desistência de aborto é essa: legal ou ilegal.
São jogadas de escritores para trazer o leitor para seu texto.

Particularmente, achei o texto muito bom e de demasiada importância para os assuntos sociais de hoje, podendo linkar o texto aos casos de intervenções religiosas na constituição interferindo diretamente em casos agravantes como este. Abraços continuar lendo

Apoiado Aline! Não será com uma legislação hedonista que não pensa na vida intra - uterina, nem nos direitos do pai (afinal ele tem 50% geneticamente) que chegaremos a algum lugar. Eu não quero o sistema de saúde financiando isso, para mim e milhões de brasileiros a vida inicia desde a concepção, então, quem quer fazer que faça e aguente as consequências legais de seu ato. Temos na CF o direito à vida e o nascituro obviamente tem direitos, basta ler o CCB. Aborto legal, por favor, homens e mulheres, abortem essa ideia! continuar lendo

Gostei da matéria. Principalmente porque deixa clara a eficácia de uma lei bem aplicada e que dispõe de recursos para cumprir aquilo que se propõe. Não cabe a nós julgarmos quem opta ou não pelo aborto e sim, levar em consideração e respeitar a decisão daqueles que a fazem conscientemente, após análises e reflexões sobre o seu futuro e o do feto.
"Não é uma lei que promove o aborto, mas a reflexão". continuar lendo

Infelizmente, ainda temos a mentalidade de que é a lei que resolverá todos os problemas do mundo, como num passe de mágica: cria-se a lei e tudo está salvo!
Na realidade, devemos entender que não é a lei que modificará a realidade daqueles que se encontram sob sua égide, mas uma educação melhor dessas pessoas. É mais uma questão de princípios do que de legislação.
Aqui no Brasil somos mestres em acreditar (ou fingir que acreditamos) que a criação de leis diminuirá a criminalidade, acabará com o preconceito racial, sexual, de gêneros, dentre outros, mas, na realidade, vemos que não é essa a solução.
Se não formos mais educados, mais conscientes, não há lei que resolva o problema, seja no caso do aborto, do feminicídio, da homofobia, dentre tantas outras questões. continuar lendo

Muito bom seu comentário e de certa forma coaduna com o meu pensamento.

Sempre exponho para as pessoas esse ponto de vista relatado no inicio do comentário em que as pessoas (principalmente nós brasileiros) temos a sensação de que criada a lei, os problemas seriam resolvidos.

Lendo engano, haja vista está ultima do Feminícidio, pois se fosse simples assim, bastava criar uma lei de combate a crimes contra criança, idoso, racismo, homofobia, corrupção e teriamos um país de sonhos.

Mas enquanto as leis não forem aplicadas e não apenas um texto no papel, servirão apenas para a venda de Vade Mecuns atualizados no ano posterior. continuar lendo

"Não é uma lei que promove o aborto, mas a reflexão. Isso demonstra que muitas mulheres que solicitam o aborto não têm certeza e que as consultas obrigatórias com a equipe interdisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais, além do ginecologista, estão sendo efetivas" , disse em alusão ao procedimento determinado pela legislação no qual a mulher tem cinco dias para pensar antes de prosseguir com o pedido. "

O artigo mostra que o caminho para a diminuição de abortos é um trabalho realmente efetivo com essas mulheres, não concordo com o aborto salvo nas circunstâncias previstas no nosso ordenamento, nas demais um bom acompanhamento e uma boa assistência podem dar ótimos resultados (coisas que o brasil e os países do artigo não tem).

Um bom entendimento é que a mulher deveria esperar o fim da gestação e entregar o bebê ao Estado, esse é o pensamento que o governo deveria investir.

Mas a mãe que entrega seu filho ao estado é uma má pessoa condenada pela sociedade ¬¬ por isso, essa não é uma opção continuar lendo